Ação sobre 'Dark Horse' mostra desvio no destino de emendas parlamentares Investigação da Polícia Federal (PF) e da Controladoria-Geral da União (CGU) apontou que um projeto educacional financiado com R$ 1 milhão em emendas do deputado federal Mário Frias (PL-SP) pagou R$ 300 mil por um conjunto de aulas online que só foi disponibilizado depois do fim do convênio e teve poucos acessos.
A apuração também mapeou como fornecedores desse mesmo projeto repassaram R$ 750 mil à produtora de Dark Horse, filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. A investigação sobre o financiamento do filme, conduzida sob supervisão de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), apura o possível uso irregular de emendas parlamentares e de recursos públicos destinados a entidades e empresas ligadas à produção. Nesta quinta-feira (10), a PF cumpre 49 mandados de busca e apreensão em uma operação relacionada ao caso.
Um dos projetos financiados é o Jovem Empreendedor 4.0, realizado pelo Instituto Conhecer Brasil (ICB), presidido por Karina Ferreira da Gama, em parceria com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). A iniciativa recebeu R$ 1 milhão de uma emenda parlamentar de Mário Frias. Karina Ferreira da Gama é sócia da Go Up Entertainment Ltda., empresa que produziu Dark Horse.
A proposta era capacitar 250 multiplicadores e atender 2.250 alunos do 4º e 5º anos da rede pública de ensino. Investigação da Polícia Federal (PF) e da Controladoria-Geral da União (CGU) apontou que um projeto educacional financiado com R$ 1 milhão em emendas do deputado federal Mario Frias pagou R$ 300 mil por um conjunto de aulas online que só foi colocado no ar depois do fim do convênio e teve poucos acessos.
A investigação também mapeou como fornecedores desse mesmo projeto irrigaram com R$ 750 mil a produtora do filme Dark Horse, obra dedicada à trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro ➡️ A investigação sobre o financiamento do filme, conduzida sob supervisão de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), apura o possível uso irregular de emendas parlamentares e de recursos públicos destinados a entidades e empresas ligadas à produção.
Nesta quinta-feira (10), a PF cumpre 49 mandados de busca e apreensão em uma operação relacionada ao caso. Um dos projetos financiados é o Jovem Empreendedor 4.0, realizado pelo Instituto Conhecer Brasil (ICB), presidido por Karina Ferreira da Gama, em parceria com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). A iniciativa recebeu R$ 1 milhão de uma emenda parlamentar del Mário Frias.
Karina Ferreira Gama é sócia da Go Up Entertainment Ltda., empresa que produziu Dark Horse. A proposta era capacitar 250 multiplicadores e atender 2.250 alunos do 4º e 5º anos da rede pública de ensino. Para produzir o kit pedagógico proposto, o ICB contratou o Instituto Super Poder Educacional, também chamado de Super Leitores, por R$ 300 mil.
Segundo o instituto, o valor incluía a criação, a produção e a gravação de 24 videoaulas. A auditoria da CGU, no entanto, encontrou problemas na execução do projeto. O convênio terminou em 11 de janeiro de 2026, mas o site da plataforma foi registrado somente em 1º de março, 49 dias depois.
As videoaulas só foram publicadas em 31 de maio. Em vistoria realizada em 1º de julho, a CGU verificou que dez videoaulas somavam apenas sete visualizações. Seis não tinham nenhum acesso, três tinham uma visualização cada e apenas uma registrava quatro acessos.
Página inicial do site do projeto "Jovens Empreendedores" Reprodução Com o descumprimento das metas e do atraso na entrega do material, o MCTI rejeitou a prestação de contas do projeto. Além dos problemas na execução, os investigadores identificaram vínculos familiares e empresariais entre empresas contratadas pelo ICB: Pamella Cristiane Dias é sócia-administradora do Instituto Super Poder Educacional (Super Leitores); Pamella é irmã de Heric Fabiano Dias, sócio-administrador da NTT Brasil Ltda.
Heric é casado com Luiza Tessari Rocha Dias, apontada pelos investigadores como a terceira maior doadora individual da campanha de Mário Frias em 2022, com R$ 70 mil; No mesmo projeto, o ICB contratou a Dinâmica Editora por R$ 400 mil e o Instituto Super Poder Educacional por R$ 300 mil. Ao todo, R$ 700 mil foram destinados às duas empresas. Relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) mostram que a Go Up movimentou R$ 19 milhões entre 10 de novembro e 30 de dezembro de 2025.
Durante as gravações de Dark Horse em São Paulo entre outubro e dezembro de 2025, a Go Up Entertainment recebeu recursos de duas fontes principais: R$ 750 mil em uma única transferência da NTT Brasil Ltda., empresa de Heric Dias; R$ 645,4 mil transferidos diretamente por Mário Frias. Para os investigadores, chama atenção a proximidade entre os valores: a NTT Brasil enviou R$ 750 mil à produtora do filme, enquanto o ICB destinou R$ 700 mil à Dinâmica Editora e ao Instituto Super Poder Educacional.
Segundo a investigação, há indícios de que recursos federais destinados ao projeto educacional tenham sido desviados por meio de contratos simulados. O dinheiro teria retornado ao grupo ligado à organização para financiar o filme e pagar despesas de luxo em São Paulo.
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